Ciência

Se um orbe pode ser derrubado, ele tem massa, sensores e limites: o que a física diz sobre os UAPs

Um relato não confirmado de que os EUA foram autorizados a engajar objetos sobre o campo de testes de White Sands levou o astrofísico Avi Loeb a um exercício raro no tema: deduzir, pela física, o que a vulnerabilidade (ou a imunidade) de um orbe revela sobre sua natureza.

Drone MQ-9 Reaper em voo, com antena de comunicação por satélite
Foto: NASA/Tom Tschida (domínio público)

Os fenômenos anômalos não identificados são, na definição do próprio Avi Loeb, "um saco misturado": a maioria é natural (meteoros, efeitos atmosféricos) ou feita por humanos (fragmentos de satélites, drones, balões, projetos militares secretos). Os dados públicos, admite o astrofísico de Harvard, ainda não bastam para associar qualquer caso a tecnologia não humana. Mas há um tipo de evento que, se acontecer, encurta o caminho: um orbe derrubado.

O gatilho

Em 10 de agosto, Loeb comentou um relato de imprensa, que ele mesmo classifica como não confirmado, segundo o qual o Departamento de Guerra teria sido autorizado pela Casa Branca a engajar UAPs sobre o campo de testes de mísseis de White Sands, no Novo México. No dia seguinte, publicou a pergunta que interessa à ciência: se os objetos reagem a engajamento humano e podem ser abatidos por armas de energia dirigida, o que isso diz sobre eles?

A cadeia de deduções

A conclusão de Loeb é sóbria: tudo isso aponta para um artefato tecnológico com estrutura material e capacidade de sensoriamento, operando por física amplamente convencional. Isso estreita o espaço de hipóteses e afasta as versões mais exóticas, como dimensões extras, motores de dobra ou buracos de minhoca. E vale para qualquer origem: os produtos de uma civilização capaz de viagem interestelar continuariam vulneráveis a armas suficientemente potentes, do mesmo modo que nossos satélites mais avançados sucumbem a tempestades solares e micrometeoritos.

"Uma bala sem cérebro pode derrubar uma aeronave assistida por inteligência artificial." A frase de Loeb resume o argumento: sofisticação não é sinônimo de invulnerabilidade.

E quando o míssil não funciona?

O raciocínio ilumina também o caso oposto, que o público já viu: o vídeo do drone MQ-9 Reaper exibido no Congresso em setembro de 2025, em que um míssil parece atingir um objeto esférico na costa do Iêmen sem qualquer efeito, tema da nossa cobertura da audiência sobre denunciantes. Pela mesma lógica, a imunidade aparente é igualmente informativa, e igualmente incompleta sem dados de distância e velocidade: pode significar erro de alvo, um objeto muito menor ou mais distante do que parece, ou uma estrutura que a arma não atingiu de fato. Loeb acrescenta uma observação estatística: a reaparição recorrente de novos objetos apesar de quedas sugere que eles seriam supridos por "um grande reservatório".

Onde isso leva

O ponto de chegada é o mesmo de toda a produção recente do pesquisador: materiais. Um objeto derrubado permitiria analisar composição química e isotópica, o teste mais direto que existe para a origem extrassolar de qualquer coisa. É o assunto da próxima matéria desta série, sobre o conselho científico que Loeb passou a presidir junto ao governo americano. Até lá, valem os alertas do nosso guia do iniciante: um relato não confirmado é uma pista, não um fato, e o valor do exercício de Loeb está no método, não na manchete.

Fontes desta matéria