Um caso sem explicação não é igual a um caso sem dados: o método do GEIPAN
A classificação francesa separa fenômenos identificados, explicações prováveis, informação insuficiente e casos que permanecem sem identificação após investigação.

Dois relatos podem terminar sem identificação por motivos bem diferentes. Em um, faltam horário, direção e material aproveitável. Em outro, existe informação suficiente para investigar, mas nenhuma hipótese avaliável encerra o caso.
Essa diferença aparece na classificação usada pelo GEIPAN, serviço do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES) que reúne, analisa e arquiva relatos de fenômenos aeroespaciais não identificados.
As quatro categorias gerais
- A: fenômeno identificado depois da investigação.
- B: fenômeno provavelmente identificado.
- C: informação insuficiente ou sem condições de análise para identificar o fenômeno.
- D: fenômeno que permanece não identificado após a investigação.
Na apresentação do CNES, as investigações cruzam depoimentos com dados meteorológicos, astronômicos e de atividades aeroespaciais. As publicações são anonimizadas e podem incluir sínteses, imagens e desenhos enviados pelas testemunhas.
O que muda na leitura de uma estatística?
Somar C e D e chamar o resultado de “casos inexplicáveis” apaga uma distinção importante do próprio método. Parte do conjunto não permite chegar a uma conclusão por falta de informação; outra parte permaneceu sem identificação depois de analisada.
Também é necessário conferir a data da estatística, o universo considerado e os critérios usados. Uma porcentagem de um acervo de relatos não é uma estimativa automática da frequência de fenômenos no céu inteiro.
A categoria D registra o estado de uma investigação; ela não estabelece, sozinha, uma origem extraterrestre. Ao encontrar uma alegação sobre um caso francês, vale ler a síntese e suas limitações, em vez de tratar a letra da classificação como explicação física.