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ODNI abre canal para servidores e contratados relatarem UAPs, mesmo sob acordos de sigilo

Diretriz preliminar do escritório que coordena a inteligência americana manda o Pentágono e as agências criarem canais para que funcionários atuais e antigos, inclusive de empresas contratadas, relatem o que sabem sobre fenômenos anômalos apesar de acordos de confidencialidade. O alcance é real, mas os limites também.

Ilustração: documento com tarja de sigilo parcialmente removida e cadeado aberto
Ilustração: ufoNoticias

Durante décadas, a resposta padrão de quem trabalhou com informação sensível sobre fenômenos aéreos foi a mesma: "assinei um acordo de sigilo, não posso falar". Uma diretriz preliminar emitida em 31 de julho pelo Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI), o órgão que coordena as 18 agências de inteligência dos Estados Unidos, começa a desmontar exatamente essa barreira.

O que a diretriz determina

O documento, assinado pelo vice-diretor principal de inteligência nacional, Aaron Lucas, orienta o Departamento de Guerra e os membros da comunidade de inteligência a estabelecer processos que permitam a funcionários atuais e antigos, e também a contratados, repassar informações relacionadas a UAPs a representantes designados, apesar de acordos de confidencialidade, juramentos ou compromissos anteriores. Cada agência tem 30 dias para coordenar com o ODNI a indicação de representantes da força-tarefa do programa PURSUE, e a força de trabalho deve ser formalmente informada da ordem presidencial que originou o processo. Quem tiver algo a relatar deve procurar o AARO, o escritório de análise de anomalias do Pentágono, ou os representantes autorizados.

O que ela não faz

A análise do escritório de advocacia DLA Piper, que acompanha o tema pelo lado das empresas contratadas, é precisa sobre os limites. A diretriz não autoriza divulgação pública de material classificado nem cria um canal novo para o Congresso: os relatos seguem para dentro do governo, por vias designadas. Ela também é mais estreita do que a lei de autorização de defesa de 2023, que já protegia denunciantes contra todas as restrições legais, e não apenas contra acordos de confidencialidade. Orientações complementares ainda estão por vir.

O movimento não abre os arquivos ao público. Abre uma porta interna, para que quem sabe de algo possa falar com quem tem autoridade para investigar, sem medo de processo.

A engrenagem por trás

A diretriz é uma peça de uma estrutura montada ao longo de 2026. Em 16 de junho, reuniu-se pela primeira vez o Conselho de Governança de UAPs, órgão interagências criado por ODNI, FBI e Departamento de Guerra para coordenar o tema. Já em fevereiro, o secretário Pete Hegseth havia reafirmado o compromisso de divulgação enquanto o AARO informava que seu volume acumulado de casos passava de 2 mil. É o mesmo contexto institucional que produziu as cinco levas de arquivos do programa PURSUE, cuja origem contamos na matéria sobre a diretriz dos 90 dias.

Por que importa

O problema que a medida ataca é conhecido desde os depoimentos de David Grusch ao Congresso, em 2023, e voltou à mesa na audiência de setembro do ano passado: militares e contratados relatam ter visto coisas que não podem descrever por conta de compromissos de sigilo. O astrofísico Avi Loeb, que preside o novo conselho científico consultivo do governo americano para o tema, classificou o memorando como "histórico" e argumenta que, se denunciantes puderem falar, cientistas poderão finalmente seguir suas pistas. Para as empresas de defesa, o recado prático é atualizar procedimentos de denúncia e revisar contratos. Para o público, a lição é a de sempre: canal aberto é condição necessária para respostas, não garantia delas.

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