Ciência

Sol Foundation apresenta novos testes de supostos "materiais de UAPs" e a ciência pede calma

No fórum do think tank fundado por pesquisadores ligados a Stanford, o imunologista Garry Nolan detalhou resultados de análises avançadas de fragmentos atribuídos a fenômenos anômalos. Nenhum material, porém, tem origem exótica confirmada.

Cientista trabalha com microscópio eletrônico de varredura em laboratório
Foto: Gabriela P., CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Se há um lugar onde a ufologia tenta virar ciência de bancada, é a Sol Foundation. Criada no fim de 2023 pelo imunologista de Stanford Garry Nolan e pelo antropólogo Peter Skafish, a organização combina instituto de pesquisa acadêmica e think tank de políticas públicas, e acaba de divulgar, em seu fórum, uma nova rodada de resultados de testes em supostos materiais recuperados de UAPs.

O que foi testado

Na apresentação, Nolan (que há anos analisa fragmentos atribuídos a casos famosos) detalhou resultados de técnicas avançadas de caracterização de materiais, incluindo análises de composição e de razões isotópicas, usadas para investigar se um metal foi processado de forma incomum. O interesse científico é legítimo: razões isotópicas fora dos padrões terrestres seriam um marcador difícil de forjar. O resultado até aqui, porém, repete o histórico da área: materiais interessantes, manufatura incomum em alguns casos, mas nenhuma prova de origem não humana.

Entre "não sabemos quem fez isso" e "não foi feito por humanos" existe um oceano, e é nele que naufraga a maioria das manchetes sobre "materiais alienígenas".

Um think tank com trânsito oficial

Mais do que os fragmentos, chama atenção o alcance institucional do grupo. A fundação afirma já ter sido consultada por Senado e Câmara dos EUA, Parlamento do Canadá, Parlamento e Comissão da União Europeia e Parlamento do Japão: este último em plena articulação para criar seu órgão nacional de UAPs. Sua agenda de pesquisa cobre três frentes: a procedência de possíveis materiais, as narrativas humanas sobre supostas "inteligências não humanas" e o uso de IA multiagente para reduzir desinformação no tema, preocupação que dialoga com a revisão dos arquivos da NASA.

O caminho da credibilidade

Pesquisadores do grupo também publicaram no repositório arXiv um panorama da "nova ciência" dos fenômenos anômalos aeroespaciais e subaquáticos, defendendo instrumentação dedicada e protocolos abertos. É a fronteira que separa o campo do seu passado: análise reproduzível, dados públicos e revisão por pares, exatamente a régua que aplicamos no nosso guia do iniciante.

Fontes desta matéria