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Japão se prepara para criar seu primeiro órgão de governo dedicado a UAPs

Liga suprapartidária de parlamentares finalizou proposta que cria estrutura especializada para centralizar inteligência e coordenação sobre fenômenos anômalos: subordinada diretamente ao gabinete de gestão de crises do governo japonês.

Edifício da Dieta Nacional, o parlamento do Japão, em Tóquio
Foto: Daderot (CC0), via Wikimedia Commons

O Japão deu o passo mais concreto até agora rumo a uma política nacional para fenômenos anômalos não identificados. Em 24 de março, a liga suprapartidária de parlamentares dedicada ao tema anunciou a intenção de propor a criação de um órgão governamental especializado para supervisionar inteligência e coordenação sobre UAPs: proposta finalizada em assembleia nacional realizada em Tóquio no dia 30.

Como funcionaria

Pelo desenho apresentado, o novo escritório ficaria subordinado diretamente ao vice-secretário-chefe de Gabinete para Gestão de Crises. A moldura institucional deixa clara a motivação: para Tóquio, objetos não identificados em seu espaço aéreo são, antes de tudo, uma questão de segurança nacional, num ambiente regional pressionado por drones, balões de vigilância e tecnologia militar de vizinhos como China, Rússia e Coreia do Norte.

Dois anos de articulação

A liga foi fundada em junho de 2024, com o ex-ministro da Defesa Yasukazu Hamada na presidência e Shinjiro Koizumi como secretário-geral, e desde então conduz investigações sobre riscos de segurança associados aos fenômenos. O grupo se inspira abertamente no modelo americano: audiências públicas, canais de reporte para pilotos e um escritório central de análise, papel exercido nos EUA pelo AARO.

Quando a terceira maior economia do mundo trata UAPs como pauta de gestão de crises, o tema termina de migrar do tabloide para o organograma.

Efeito dominó

Se aprovada, a estrutura fará do Japão o primeiro país asiático com órgão dedicado ao tema, e reforçará a tendência internacional de institucionalização: os EUA com o AARO e o programa PURSUE, a França com o histórico GEIPAN, e agora Tóquio. Para o Brasil, que arquiva seus casos via FAB sem órgão permanente de análise, o movimento japonês é mais um ponto de referência no debate sobre como estruturar a investigação oficial: discussão que voltou à tona com a liberação dos dossiês de 2025.

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