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A fita de 1952 que o Congresso foi buscar no MIT: palestra do chefe do Blue Book sobre "discos voadores" deve sair no próximo lote de arquivos

Catalogada como "flying saucer talk" (AF-ATIC-FILM, 03/52), a gravação de uma palestra do capitão Edward J. Ruppelt a cientistas ligados ao Lincoln Laboratory foi localizada pelo deputado Eric Burlison, digitalizada pelo Arquivo Nacional e, segundo o parlamentar, entra na próxima leva do PURSUE. Feita meses antes da famosa onda de Washington, é um retrato de como a Força Aérea via o fenômeno em 1952.

Ilustração: rolo de fita magnética com etiqueta 'AF-ATIC-FILM 03/52, flying saucer talk' e carimbo de desclassificado
Ilustração: ufoNoticias

Entre os milhares de páginas liberadas pelo governo americano neste ano, há um item que ainda não apareceu e que um deputado persegue desde maio: um rolo de fita de 1952. A etiqueta diz "AF-ATIC-FILM, 03/52", com a descrição "flying saucer talk", e o nome do palestrante é o do capitão Edward J. Ruppelt, o oficial que naquele mesmo março assumiu o recém-criado Projeto Blue Book e cunhou a sigla UFO. A gravação pertence ao acervo do estúdio Beacon Hill, guardado pelo Lincoln Laboratory, do MIT, um laboratório financiado pelo governo federal.

A caçada, em datas

Em 7 de maio, o deputado Eric Burlison (Republicano do Missouri), um dos parlamentares mais ativos no tema, enviou uma carta ao Lincoln Laboratory pedindo que a instituição localizasse a fita, informasse sua situação e coordenasse com a NARA, o Arquivo Nacional, sua preservação e revisão. "O povo americano merece transparência e a preservação adequada de registros governamentais historicamente significativos", escreveu. No fim do mês, ampliou a pressão com um questionário formal à MITRE, a corporação que opera centros de pesquisa federais, cobrando informações sobre registros de UAPs sob sua custódia, inclusive os do estudo Beacon Hill e o mesmo rolo. "Essas entidades não podem virar cofres privados de registros federais", disse.

Em 24 de junho, Burlison anunciou nas redes que o laboratório admitira a existência do arquivo e concordara em entregá-lo: "dissemos ao MIT Lincoln Labs que sabíamos o nome exato do arquivo que estavam guardando, e que o queríamos; eles admitiram que existe e concordaram em entregar". No início de setembro, veio a etapa seguinte, relatada por veículos especializados a partir de declaração do gabinete: a NARA confirmou que a gravação foi digitalizada, totalmente desclassificada e está pronta para ser divulgada pelo governo "em um próximo lote de registros de OVNIs". Até o fechamento desta matéria, em 14 de setembro, o portal do PURSUE listava cinco lotes, o último de 7 de agosto; a expectativa de que o sexto saísse em 11 de setembro não se confirmou.

Por que 1952 importa

O ano foi o mais intenso da história do Blue Book. Entre 19 e 20 de julho e novamente entre 26 e 27 de julho, radares do aeroporto nacional de Washington e da base aérea de Andrews registraram ecos não identificados sobre a capital, caças foram acionados e, em 29 de julho, a Força Aérea deu a maior coletiva de imprensa desde a Segunda Guerra para atribuir os ecos a inversões de temperatura. Uma palestra de Ruppelt em março, a uma plateia de cientistas do circuito de defesa aérea (o grupo Beacon Hill reunia especialistas ligados ao MIT que estudavam reconhecimento e defesa para a Força Aérea), mostra o que os militares pensavam antes da onda, quando o assunto era tratado como uma questão de defesa aérea, não de opinião pública.

Ruppelt morreu em 1960, mas deixou o livro "The Report on Unidentified Flying Objects" (1956), hoje em domínio público, em que relata os bastidores do Blue Book com uma franqueza rara para um oficial. Uma gravação com a sua voz, feita no calor da hora, seria o registro sonoro mais antigo de um chefe de investigação oficial falando sobre o tema.

O que ainda não se sabe

O conteúdo da fita é desconhecido. A ligação com a onda de Washington, sugerida em junho por Jordan Flowers, diretor da Disclosure Foundation, é uma inferência: a palestra é de março, quatro meses antes dos ecos de julho. Não há, até agora, nota pública do Lincoln Laboratory nem aviso formal da NARA; o que existe são as cartas de Burlison, publicadas em seu site, e as declarações dele. A rotulagem "film" para um rolo de fita magnética também levanta a dúvida de se há imagem ou apenas áudio. Tudo isso se resolve com a publicação do material, e é por isso que o item virou um teste do próprio programa de desclassificação.

O pano de fundo é legal. A lei orçamentária de defesa de 2024 criou na NARA uma coleção nacional de registros de UAPs (o grupo de registros 615) e mandou as agências identificar, digitalizar e transferir para lá seus documentos. Contratadas e laboratórios federais como MITRE e Lincoln guardam parte desse material, e é sobre eles que o deputado, autor da emenda de desclassificação aprovada pela Câmara em julho, decidiu apertar. Enquanto o Pentágono recorre a arquivos civis para reconstruir a história, o Congresso vai atrás do que o próprio governo esqueceu em seus laboratórios.

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